quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Gomas para a constipação!

Chegou o frio, chegaram os narizes ranhosos. Os últimos dias cá em casa foram de muito soro, muito mimo e muitas constipações (em família é mesmo assim, quando há para um, há para todos, constipações incluídas!)

Já andava a pensar há algum tempo em fazer gomas caseiras e achei que a oportunidade era perfeita. Laranja para um bom choque de vitamina C, mel e cenoura para ajudar a fortalecer o sistema imunitário.

Pensei que seria mais fácil convencer a Mana a comer gomas do que a beber um sumo de laranja e cenoura e efectivamente a ideia pareceu-lhe bem. Até ter provado. Acho que esta é a altura em que devo avisar que cá em casa esta receita não funcionou. Acabámos por comer nós as gomas, o que também nos fez bem. E eu acabei a prometer que para a próxima tento fazer uns ursinhos de morango. Esses sim, ela já gosta...


GOMAS DE LARANJA E CENOURA

1 chávena de sumo de laranja e cenoura
(usei 5 laranjas e 1 cenoura espremidas na máquina de fazer sumos)
30 g de gelatina em pó sem sabor (3 saquetas)
2 colheres de sopa de mel

Colocar o sumo num tacho pequeno, juntar a gelatina e levar a lume brando, mexendo sempre até a gelatina se dissolver e ficar bem incorporada.
Adicionar as duas colheres de sopa de mel (a quantidade pode ser ajustada a gosto) e verter em moldes de silicone.
Reservar no frigorífico até solidificar (cerca de 2-4 horas).

NOTAS:
Existem formas de silicone específicas para fazer gomas (ou chocolates) mas como não tínhamos, usei uma forma normal, enchi cerca de 1,5 cm de altura e depois de firme cortei com moldes para bolachas.

Pela textura firme e pelo facto de levar mel, esta receita não é apropriada para bebés com menos de 2 anos.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Pão de cenoura e courgette


Se há coisa que gostamos, é de receitas cheias de legumes onde nem se dá por eles.

Este é um óptimo exemplo, que além disso é prático (pode comer-se como parte de uma refeição principal ou como lanche ou snack) e versátil (a Mana comeu com manteiga, fiambre e ovo mexido, o Mano comeu simples, e nós comemos barrado com um pouco de mostarda de Dijon e acompanhado com uma salada de espinafres frescos, amêndoas e mel).

É perfeito para bebés pequenos porque é mole, saboroso e fácil de agarrar.

Para crianças no auge da fase da esquisitice, é melhor avisar que se vêem pedacinhos de courgette e cenoura no pão, por isso prepare-se para "o que é isto?" enquanto torcem o nariz. No entanto, se compararmos com um prato de cenouras cozidas ou courgettes assadas, venha de lá este pão! Penso que qualquer criança concordará. Barre com um pouco de manteiga enquanto o pão ainda está quentinho e verá como mudam logo de ideias!


PÃO DE CENOURA E COURGETTE

200 g de courgette (cerca de 1 courgette média)
100 g de cenoura (cerca de 1 cenoura média)
100 g de farinha de trigo sem fermento
80 g de farinha de espelta
1 colher de chá cheia de fermento em pó
Sal
3 ovos
80 ml de azeite
100 g de queijo mozzarella ralado

Aqueça o forno a 180 ºC.
Lave bem a courgette e rale com a casca. Coloque a courgette ralada num prato com papel absorvente, tempere com sal (vai ajudar a soltar a água), cubra com mais papel e deixe escorrer, trocando os papéis à medida que vão ficando ensopados.
Lave a cenoura, descasque, e rale também.
Numa tigela, peneire as farinhas com o fermento e um pouco de sal.
À parte bata os ovos com o azeite e de seguida junte o queijo, a courgette e a cenoura. Adicione este preparado à mistura de farinha e envolva bem para que fique uniforme.
Verta numa forma de bolo inglês (de silicone ou previamente protegida com papel vegetal) e leve ao forno quente, durante cerca de 1 hora.

Dicas
A farinha de espelta é mais rica em termos nutricionais mas se não tiver, pode utilizar apenas farinha de trigo (usando então 180 g de farinha).

Perto do final da cozedura pode polvilhar o pão com um pouco de queijo ralado.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Quando trocar o biberão pelo copo?

A nossa primeira filha deixou o biberão quando fez um ano. Para dizer a verdade nem sei se não foi um pouco antes. Na altura nem pensámos muito no assunto. Comprámos um copo de transição para ter em casa quando fosse preciso, demos-lhe uma vez só para experimentar, e ela gostou tanto que metemos logo o biberão de lado. Agora com outro bebé em casa, este com 15 meses, temos reparado que lhe é totalmente indiferente se lhe damos o leite no biberão ou num copo de transição, o que parece ser um bom sinal de que está na altura de mudar…

Hoje em dia os pediatras recomendam que o bebé deixe o biberão até aos 18 meses, sendo que a transição pode começar a ser feita logo entre os 9 e os 12 meses.

Porquê tão cedo?

- o leite ingerido através do biberão (cujo fluxo da tetina é mais lento do que o de um copo) permanece mais tempo na boca e em contacto com os dentes, pelo que o açúcar naturalmente presente no leite pode contribuir para o aparecimento de cáries (sobretudo durante a noite em que o corpo produz menos saliva para limpar a boca)
- tal como a chucha, o uso exagerado do biberão (por exemplo quando o bebé fica com o biberão e vai bebendo aos poucos durante um longo período de tempo) pode prejudicar o desenvolvimento das arcadas dentárias
- o bebé ainda não usa o biberão como um objecto de conforto, pelo que mais tarde terá mais dificuldade em deixá-lo

Dicas para trocar o biberão pelo copo (para bebés com menos de 18 meses):

- experimente copos diferentes (existem copos com palhinha, bicos de plástico, bicos de silicone, copos 360º onde o bebé pode beber a partir de qualquer local no rebordo, entre outros)
- comece por introduzir o copo numa altura em que o bebé esteja mais desperto e alerta (por exemplo ao lanche)
- não altere a rotina (se costuma pegar no bebé e dar o biberão ao colo, com mimo, faça-o exactamente da mesma forma, substituindo apenas o biberão pelo copo)
- não mostre ansiedade nem espere demasiado do bebé (o bebé adaptar-se-á, normalmente e ao seu ritmo, ao novo copo)
- não desista (é normal que o bebé beba menos no início mas com tempo irá ganhar prática e habituar-se)


Lembre-se que quanto mais cedo começar o processo, mais fácil será. Para bebés mais crescidos que resistam a esta transição, provavelmente terá que empregar outros truques. Mas isso já é assunto para outra conversa!

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Manteiga de castanhas e mel

No Sábado de manhã fomos comprar castanhas com os miúdos. Aquele cheirinho das castanhas assadas na rua deu-me logo vontade de pratos quentes e confortáveis de Inverno (apesar do Sol que estava). Apetecia-me criar alguma coisa nova mas ao mesmo tempo queria que fosse algo rápido, que não desse trabalho, e que não roubasse tempo de brincadeiras em família. Lembrei-me logo de uma manteiga de castanhas que desse para colocar nuns scones acabados de fazer.

O problema é que as castanhas não têm óleo suficiente como o amendoim, o caju ou a amêndoa, para triturar e conseguir uma manteiga cremosa. Uma compota cheia de açúcar estava obviamente fora de questão e adicionar leite às castanhas para as tornar mais cremosas fez-me pensar em puré de castanhas para acompanhamento de pratos principais e não era nada disso que pretendia.

Passei para a opção, se calhar, mais lógica. O óleo de coco. E funcionou na perfeição.


Esta acaba por ser uma manteiga que se comporta de forma relativamente semelhante à manteiga normal. Solidifica com o frio (por causa do óleo de coco) mas amolece facilmente durante alguns segundos no microondas ou barrada em scones quentinhos. E embora as opiniões se tenham dividido cá em casa, eu preferi comê-la ainda bem morna.


O seu uso depende apenas da imaginação. Em pão de sementes, bolachinhas, scones, sobre uma banana cortada ao meio... Eu acabei por comer sobre rodelas de maçã verde mas acho que hoje vou comprar outra dúzia de castanhas e repetir a dose. Desta vez para comer à colher.


MANTEIGA DE CASTANHAS E MEL

  • 10 castanhas assadas
  • 2 colheres de sopa de óleo de coco
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 1 colher de sopa de água
Descasque e pele as castanhas. Triture num processador de alimentos até ficarem reduzidas a farinha.
Adicione o óleo de coco, o mel e a água, e volte a triturar até obter uma manteiga homogénea.

DICAS
Para uma receita de pequena quantidade como esta, usei um processador de alimentos pequeno, estilo Magic Bullet.
Depois de uns segundos a processar os ingredientes, é necessário parar e empurrar o creme com uma espátula para o fundo do copo, antes de voltar a processar de novo.
Antes de servir, aquecer um pouco a manteiga para que fique mais cremosa.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

"Bolo" de melancia

Não gosto de fruta. Nunca gostei. A minha mãe conta que quando eu era bebé tentava de tudo. Puré, inteira, esmagada com bolachas, fria, aquecida em banho-maria… Nada funcionava. Hoje em dia não mudei muito mas faço o esforço para que todos comam 3 porções de fruta por dia. Incluindo eu. O truque tem sido encontrar receitas e combinações que tornem a fruta mais divertida.

Neste primeiro post de receitas faço questão de apresentar uma coisa que normalmente me assustaria (de todas as frutas aquelas que não consigo mesmo comer são melão, meloa e melancia) mas que foi um sucesso cá em casa (pelo menos no início, mas já lá vamos).


O Verão excessivamente longo deste ano fez com que ainda seja fácil encontrar melancia nos supermercados e apesar de ter usado apenas uma fatia, trouxe para casa uma melancia inteira que a Mana adorou porque nunca tinha visto sem ser já cortada (uma pessoa até se esquece que eles são tão pequenos que não conhecem estas coisas que para nós são tão óbvias).

Aproveitámos as framboesas e os mirtilos que tínhamos no frigorífico e em 15 minutos montámos este “bolo”. Tão simples e tão bom!


Fizemos uma versão individual e usámos um copo largo de vidro para cortar os discos de melancia a partir de algumas fatias previamente cortadas com a mesma espessura (para um bolo maior pode ser usado um prato como molde). Montámos o bolo intercalando as fatias de melancia com as framboesas e os mirtilos (a estrutura aguenta-se melhor do que eu estava à espera mas com uma criança de três anos a ajudar, achei melhor colocar um espeto de madeira no centro para ajudar a manter tudo no sítio). Para decorar o topo colocámos uma colher de iogurte natural e um morango.


A verdade (porque isto nos blogs é tudo muito bonito mas depois falta o outro lado da realidade) é que a vontade de tirar o morango foi tanta que acabou por entornar o bolo no chão (estava-se mesmo a ver). Depois de uma grande decepção, resolveu deixar alguns mirtilos no chão para os passarinhos (que é como quem diz, eu fui lá apanhá-los durante a noite para ela pensar de manhã que os passarinhos os tinham comido) e entrámos em casa para comer fatias de melancia à dentada.

Para a próxima acho que fazemos um grande para uma sobremesa saudável com amigos.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Comer bem sem sacrifícios (como começámos)

Temos dois filhos que comem bem. Sempre comeram e sempre nos foi dito que nem sabíamos a sorte que tínhamos por isso. Mas também temos uma criança que chegou aos dois anos e passou de comer brócolos à mão para franzir o nariz a tudo o que é verde (sim, só porque é verde), que ouve o nome de um prato novo e diz “não gosto”, que hoje adora um alimento e amanhã detesta, que finge que encosta a língua à comida para provar e ainda nem lhe tocou e já está a afirmar que não quer. Uma criança normal, portanto, porque todas estas fases fazem também parte do crescimento deles.

A verdade é que nós próprios tínhamos péssimos hábitos alimentares antes de termos filhos e foi na consulta de um ano, aquela em que os pediatras dizem “o bebé agora pode passar a comer tudo aquilo que os pais comem”, que nos apercebemos do péssimo exemplo que éramos. Não, não havia nada na nossa alimentação que a nossa filha pudesse começar a comer como nós. A não ser que jantasse foie gras e camemberts inteiros com mel no forno, pizzas, pacotes de bolachas (tantas noites que jantámos pacotes completos das mais variadas bolachas) ou uma embalagem inteira de qualquer sabor novo que a Häagen-Dazs ou a Ben & Jerry’s tivesse acabado de lançar. Se o bebé ia passar a ter uma alimentação diversificada e saudável, então o melhor para todos seria sermos nós a adaptarmo-nos à alimentação da nossa filha e não o contrário como era suposto.

Fizemos o esforço. E fizemos bem. Ganhámos alguns hábitos mais saudáveis, cortámos com imensos disparates, mas era sempre um esforço. Aquilo não éramos nós. O saudável dos grelhados e das saladas, das gorduras e dos doces com moderação, dos legumes cozidos e das peças de fruta, para nós não servia. E quando descarrilávamos já não era uma embalagem de gelado mas duas ou três e "voltávamos ao saudável” sempre na próxima segunda-feira, ou no primeiro dia do mês seguinte, ou no ano novo que se aproximava. Quanto mais atrasássemos a coisa, melhor.

Até que decidimos pôr um ponto final na situação. Começámos a pesquisar receitas e alternativas sem grandes fundamentalismos e fomos descobrindo que afinal podemos ser saudáveis sem perder em sabor, gulodice ou criatividade. Descobrimos que uma alimentação saudável não tem que ser muito mais cara ou dar mais trabalho e que não precisamos de um dicionário ou de um supermercado específico para comprar ingredientes. O melhor, é que encontrámos um equilíbrio. A nossa filha ainda come fast food de vez em quando (porque, sejamos sinceros, faz parte de se ser criança) pede gomas e chupa-chupas quando saímos, mas passou a gostar tanto de gelados caseiros de fruta sem açúcar como gosta de Cornetos, já prova “coisas verdes no prato”, e vai ao supermercado e muitas vezes opta por um pacote de maçãs desidratadas em vez de um chocolate. Com três anos, sem se aperceber, já sabe que, com moderação, há espaço para tudo. E não tem dificuldade em escolher.

Nós, os pais, perdemos peso e ganhámos saúde, energia e motivação. Todos os dias nos sentamos à mesa entusiasmados com aquilo que vamos comer. Esta é a nossa família. E esta é a nossa abordagem a uma alimentação mais saudável.

Sempre SEM SACRIFÍCIOS. ;)