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domingo, 6 de maio de 2018

Dias felizes


Somos pelos pés descalços e pela roupa suja de quem andou a brincar.
Somos pelos banhos adiados para o dia seguinte porque o dia não tem horas suficientes para tanta brincadeira.
Somos pelas manhãs passadas em pijama a ver desenhos animados e pelas torradas e migalhas no sofá.
Somos pelos riscos na mesa e pelos puzzles espalhados no chão.
Mas também somos certinhos e arranjadinhos quando pede a ocasião.
Somos pelos abraços demorados e pelos programas em família.
Pelos piqueniques na rua em dias de Sol e pelos passeios improvisados quando afinal já estávamos a chegar a casa.
E há sempre uma coisa que não muda, ela a fugir para um lado, ele a tentar fugir para o outro, e nós a tentar manter a calma e um sorriso na cara, neste caos que é viver com miúdos pequenos e energia infinita.
E embora pense por vezes onde me fui meter, o certo é que não trocava um segundo desta vida por nada.
Feliz dia da mãe!

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Comer bem sem sacrifícios (como começámos)

Temos dois filhos que comem bem. Sempre comeram e sempre nos foi dito que nem sabíamos a sorte que tínhamos por isso. Mas também temos uma criança que chegou aos dois anos e passou de comer brócolos à mão para franzir o nariz a tudo o que é verde (sim, só porque é verde), que ouve o nome de um prato novo e diz “não gosto”, que hoje adora um alimento e amanhã detesta, que finge que encosta a língua à comida para provar e ainda nem lhe tocou e já está a afirmar que não quer. Uma criança normal, portanto, porque todas estas fases fazem também parte do crescimento deles.

A verdade é que nós próprios tínhamos péssimos hábitos alimentares antes de termos filhos e foi na consulta de um ano, aquela em que os pediatras dizem “o bebé agora pode passar a comer tudo aquilo que os pais comem”, que nos apercebemos do péssimo exemplo que éramos. Não, não havia nada na nossa alimentação que a nossa filha pudesse começar a comer como nós. A não ser que jantasse foie gras e camemberts inteiros com mel no forno, pizzas, pacotes de bolachas (tantas noites que jantámos pacotes completos das mais variadas bolachas) ou uma embalagem inteira de qualquer sabor novo que a Häagen-Dazs ou a Ben & Jerry’s tivesse acabado de lançar. Se o bebé ia passar a ter uma alimentação diversificada e saudável, então o melhor para todos seria sermos nós a adaptarmo-nos à alimentação da nossa filha e não o contrário como era suposto.

Fizemos o esforço. E fizemos bem. Ganhámos alguns hábitos mais saudáveis, cortámos com imensos disparates, mas era sempre um esforço. Aquilo não éramos nós. O saudável dos grelhados e das saladas, das gorduras e dos doces com moderação, dos legumes cozidos e das peças de fruta, para nós não servia. E quando descarrilávamos já não era uma embalagem de gelado mas duas ou três e "voltávamos ao saudável” sempre na próxima segunda-feira, ou no primeiro dia do mês seguinte, ou no ano novo que se aproximava. Quanto mais atrasássemos a coisa, melhor.

Até que decidimos pôr um ponto final na situação. Começámos a pesquisar receitas e alternativas sem grandes fundamentalismos e fomos descobrindo que afinal podemos ser saudáveis sem perder em sabor, gulodice ou criatividade. Descobrimos que uma alimentação saudável não tem que ser muito mais cara ou dar mais trabalho e que não precisamos de um dicionário ou de um supermercado específico para comprar ingredientes. O melhor, é que encontrámos um equilíbrio. A nossa filha ainda come fast food de vez em quando (porque, sejamos sinceros, faz parte de se ser criança) pede gomas e chupa-chupas quando saímos, mas passou a gostar tanto de gelados caseiros de fruta sem açúcar como gosta de Cornetos, já prova “coisas verdes no prato”, e vai ao supermercado e muitas vezes opta por um pacote de maçãs desidratadas em vez de um chocolate. Com três anos, sem se aperceber, já sabe que, com moderação, há espaço para tudo. E não tem dificuldade em escolher.

Nós, os pais, perdemos peso e ganhámos saúde, energia e motivação. Todos os dias nos sentamos à mesa entusiasmados com aquilo que vamos comer. Esta é a nossa família. E esta é a nossa abordagem a uma alimentação mais saudável.

Sempre SEM SACRIFÍCIOS. ;)