Se mantê-los
sentados à mesa durante uma refeição já é o que é, e quando eles não querem
sequer vir? Muitas vezes ainda ninguém começou a comer e a paciência já se
esgotou. Tem tudo para correr bem a partir desse momento, não tem?
A verdade é que há
uma grande diferença entre fugir da mesa e fugir da comida, e se por vezes a
recusa em participar na refeição se prende com alguma apreensão relativamente
aos alimentos (porque não querem comer a sopa, porque acham que vão ser obrigados
a comer sem vontade, porque há “coisas verdes” ou “estranhas” no prato, etc.)
outras vezes a razão é tão simples quanto não querer deixar o que estão a fazer
na altura.
E por muito que os pais garantam que a brincadeira continua lá
depois da refeição, quem está disposto a correr o risco de perder algo
entusiasmante em troca de uma garfada de brócolos?
Aqui ficam algumas
dicas para facilitar a ida para a mesa:
- Estabelecer rotinas. As rotinas são
importantes pois são as referências temporais da criança. Por vezes podem
recusar-se a ir para a mesa porque conhecem a rotina “jantar, xixi e cama”, o
que significa que o dia acabou. Basta experimentar inserir um pouco mais de
tempo de lazer (preferencialmente algo mais calmo como ler um livro, fazer um
puzzle ou ficar no miminho) imediatamente a seguir ao jantar. Por outro lado,
as rotinas que antecedem a refeição, são ainda mais cruciais. É essencial que a
criança se aperceba que se aproxima a hora da refeição e que não seja apanhada
desprevenida.
- No seguimento do
final do ponto anterior, envolver a
criança na preparação da refeição é uma ideia que tem tudo para resultar.
Os mais pequenos são naturalmente curiosos e orgulhosos dos seus feitos, pelo
que provar um prato que ajudaram a preparar ou sentar-se a uma mesa que
ajudaram a pôr (até um bebé mais novo consegue levar os guardanapos ou os copos
de plástico), é uma experiência muito mais gratificante. Além disso ganha-se assim
ainda uma fase intermédia em que a criança se apercebe que está quase na hora
de ir para a mesa mas em que esta não é uma acção repentina.
- Saber como levá-los. Em vez do comum “já
te chamei seis vezes” ou “vou contar até três”, experimentar inverter os
papéis. E se tiverem eles a responsabilidade de chamar o resto da família? “Vai
chamar o mano para ver os pratos que escolheste” ou “diz ao pai/mãe que o arroz
que fizemos está tão bom que temos que o comer agora”. Qualquer ideia que
transmita uma sensação de controlo à criança é uma boa solução.
- Escolher as batalhas. Saber em que
pontos se pode ceder é essencial. É importante que saibam que existem regras
mas será que o mundo acaba se quiserem sentar-se uma vez na ponta oposta da
mesa? Ou se em vez de comerem cinco pedaços de cenoura tiverem permissão logo
desde o início para comer apenas três? Praticamente tão importante como facilitar
um pouco, é dar a ilusão de que se facilitou imenso (sabendo que os pais têm sempre a última palavra). Eles ficam agradecidos, os
pais continuam em controlo.
- Por fim, garantir
que se estão a sentar à mesa apenas quando
a refeição está prestes a começar. Se já havia tanta coisa tão gira para
fazer em vez de ir comer, estar parado à espera, seja da comida ou dos
restantes membros da família, só vai causar mais impaciência.
Depois de tudo
isto, está para vir ainda a parte mais difícil: mantê-los realmente sentados à
mesa. Mas isso já é assunto para outro post!
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