quinta-feira, 5 de abril de 2018

E quando eles se escondem da mesa?


Se mantê-los sentados à mesa durante uma refeição já é o que é, e quando eles não querem sequer vir? Muitas vezes ainda ninguém começou a comer e a paciência já se esgotou. Tem tudo para correr bem a partir desse momento, não tem?

A verdade é que há uma grande diferença entre fugir da mesa e fugir da comida, e se por vezes a recusa em participar na refeição se prende com alguma apreensão relativamente aos alimentos (porque não querem comer a sopa, porque acham que vão ser obrigados a comer sem vontade, porque há “coisas verdes” ou “estranhas” no prato, etc.) outras vezes a razão é tão simples quanto não querer deixar o que estão a fazer na altura.

E por muito que os pais garantam que a brincadeira continua lá depois da refeição, quem está disposto a correr o risco de perder algo entusiasmante em troca de uma garfada de brócolos?

Aqui ficam algumas dicas para facilitar a ida para a mesa:

- Estabelecer rotinas. As rotinas são importantes pois são as referências temporais da criança. Por vezes podem recusar-se a ir para a mesa porque conhecem a rotina “jantar, xixi e cama”, o que significa que o dia acabou. Basta experimentar inserir um pouco mais de tempo de lazer (preferencialmente algo mais calmo como ler um livro, fazer um puzzle ou ficar no miminho) imediatamente a seguir ao jantar. Por outro lado, as rotinas que antecedem a refeição, são ainda mais cruciais. É essencial que a criança se aperceba que se aproxima a hora da refeição e que não seja apanhada desprevenida.

- No seguimento do final do ponto anterior, envolver a criança na preparação da refeição é uma ideia que tem tudo para resultar. Os mais pequenos são naturalmente curiosos e orgulhosos dos seus feitos, pelo que provar um prato que ajudaram a preparar ou sentar-se a uma mesa que ajudaram a pôr (até um bebé mais novo consegue levar os guardanapos ou os copos de plástico), é uma experiência muito mais gratificante. Além disso ganha-se assim ainda uma fase intermédia em que a criança se apercebe que está quase na hora de ir para a mesa mas em que esta não é uma acção repentina.

- Saber como levá-los. Em vez do comum “já te chamei seis vezes” ou “vou contar até três”, experimentar inverter os papéis. E se tiverem eles a responsabilidade de chamar o resto da família? “Vai chamar o mano para ver os pratos que escolheste” ou “diz ao pai/mãe que o arroz que fizemos está tão bom que temos que o comer agora”. Qualquer ideia que transmita uma sensação de controlo à criança é uma boa solução.

- Escolher as batalhas. Saber em que pontos se pode ceder é essencial. É importante que saibam que existem regras mas será que o mundo acaba se quiserem sentar-se uma vez na ponta oposta da mesa? Ou se em vez de comerem cinco pedaços de cenoura tiverem permissão logo desde o início para comer apenas três? Praticamente tão importante como facilitar um pouco, é dar a ilusão de que se facilitou imenso (sabendo que os pais têm sempre a última palavra). Eles ficam agradecidos, os pais continuam em controlo.

- Por fim, garantir que se estão a sentar à mesa apenas quando a refeição está prestes a começar. Se já havia tanta coisa tão gira para fazer em vez de ir comer, estar parado à espera, seja da comida ou dos restantes membros da família, só vai causar mais impaciência.

Depois de tudo isto, está para vir ainda a parte mais difícil: mantê-los realmente sentados à mesa. Mas isso já é assunto para outro post!

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